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Archive for 6 de abril de 2009

Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de
Medicina, lanço a pergunta:
 “Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?”
Alguns arriscam:  “Tumor na cabeça? ” Eu digo: “Não”.

Outros apostam: “Mal de Alzheimer?” Respondo, novamente: “Não”.

A cada negativa a turma espanta-se.  E fica ainda mais boquiaberta
quando enumero os três responsáveis mais comuns:       

1. Diabetes descontrolado;
2.  Infecção urinária;
3.  Falta de líquido no organismo

Parece brincadeira, mas não é.  Constantemente vovô e vovó, s em
sentir sede,  deixam  de tomar líquidos.  Quando  falta
gente em casa para lembrá-los, desidratam se com rapidez. A
desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo.
Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial,
aumento dos batimentos cardíacos (“batedeira” ), angina
(dor no peito),  coma e até morte.

Insisto: não é brincadeira. Ao nascermos, 90% do nosso corpo é
constituído de água. Na adolescência, isso cai para 70%.
Na fase adulta, para 60%. Na terceira idade, que começa aos 60 anos,
temos pouco mais de 50% de água.  Isso faz parte
do processo natural de envelhecimento.

Portanto, de saída, os idosos têm menor reserva hídrica. Mas há outro
complicador: mesmo desidratados, eles não sentem
vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno
não funcionam muito bem.

Explico:
Nós temos sensores de água em várias partes do organismo. São  eles
que verificam a adequação do nível. Quando ele cai,
aciona-se automaticamente um “alarme”. Pouca água significa menor
quantidade de sangue, de oxigênio e de sais minerais
em nossas artérias e veias. Por isso, o corpo “pede” água. A
informação é passada ao cérebro, a gente sente sede e sai em
busca de líquidos.

Nos idosos, porém, esses mecanismos são menos eficientes. A detecção
de falta de água corporal e a percepção da sede
ficam prejudicadas.
Alguns, ainda, devido a certas doenças, como a dolorosa artrose,
evitam movimentar-se até para ir tomar água.

Conclusão:
Idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva
hídrica menor, mas também porque percebem menos
a falta de água em seu corpo.
Além disso, para a desidratação ser grave, eles não precisam de
grandes perdas, como diarréias, vômitos ou exposição intensa
ao sol. Basta o dia estar quente  ou a umidade do ar baixar muito –
como tem sido comum nos últimos meses. Nessas situações,
perde-se mais água pela respiração e pelo suor. Se não houver
reposição adequada, é desidratação na certa. Mesmo que o
idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações
químicas e funções de todo o seu organismo.

Por isso, aqui vão dois alertas:

O primeiro é para vovós e vovôs: tornem voluntário o hábito de beber
líquidos. Bebam toda vez que houver uma oportunidade.
Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite. Sopa,
gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia,
abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam. O importante é, a cada
duas horas, botar algum líquido para dentro.
Lembrem-se disso!

Meu segundo alerta é para os familiares: Ofereçam constantemente
líquidos aos idosos.Lembrem- lhes de que isso é  vital. Ao mesmo
tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e,
de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar,
atenção. É quase certo que esses sintomas sejam decorrentes de
desidratação. Líquido neles e rápido para um serviço médico.

                            …oOo…

Arnaldo Lichtenstein (46), médico, é clínico-geral do Hospital das
Clínicas  e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

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Homem de 27 anos foi levado à sala de emergência depois apresentar sintomas de Convulsão Tônico-clônica (CTC) . Tinha tido uma primeira crise há 6 meses antes. Ele negou ter sofrido qualquer outro tipo de crises. A RM cerebral foi normal e um EEG com vigília e sono  também foi normal.  Ele foi tratado com fenitoína intravenosa numa dose de 18 mg / kg e foi instruído a iniciar em uma dose diária de 300 mg. No dia seguinte ao início do tratamento, ele reparou que estava sentindo muito cansaço, e 2 semanas depois, ele desenvolveu uma erupção papular generalizada

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Mulher de 20 anos, foi levada à sala de emergência depois de ter sido vista tendo uma convulsão tônico-clônica(CTC). Ela foi submetida a uma tomografia computadorizada (TC) e a varredura do cérebro foi normal, exames clínicos incluíndo um hemograma (hemograma completo), um painel químico, toxicológico e um screen, sem resultados expressivos. Ela teve alta e foi-lhe dito que não necessitaria de qualquer medicação uma vez que esta foi “uma primeira crise” Cinco meses mais tarde ela foi trazida de volta à sala de emergência depois de ter experimentado uma segunda CTC. Ela relatou ter tido privação de sono nas 2 noites anteriores e ter consumido cinco doses de  bebidas alcoólicas na noite anterior. Durante o exame, notou-se que ela estava a exibir episódios de ausência de movimento e olhar parado de até 15 segundos, durante os quais ela parecia estar não-responsiva. Ela não tinha conhecimento desses episódios, mas afirmou que, por vezes as pessoas que estariam falando com ela e ela parecia estar “distraída”. Dados adicionais obtidos revelaram a presença de tremores de extremidade superior nos últimos 9 meses, que tendem a ocorrer após o despertar precoce, especialmente quando estava sob estresse ou privada de sono. A paciente atribuía os tremores ao estresse. O EEG revelou um padrão de ondas lentas e com uma distribuição generalizada, confirmando diagnóstico de epilepsia mioclônica juvenil (EMJ).

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Amanhã é o Dia Mundial da Saúde, data que é comemorada desde 1950 para lembrar a criação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste 7 de abril, é bom lembrar que saúde, segundo a constituição da OMS, é definida como um “estado de completo bem-estar físico, mental e social, não consistindo somente da ausência de enfermidade”.

Neste dia, gostaria de lembrar que um tipo de saúde, a saúde mental, vem sendo sistematicamente negligenciado pelos governantes. Nos últimos 20 anos, foram fechados 80 mil leitos no Brasil e não foram substituídos por nenhum outro modelo de atendimento eficaz. A intenção desta nova política de saúde mental seria abrir leitos psiquiátricos em hospitais gerais. Neste período, abriram-se somente 2,6 mil desses leitos. Onde foi atendido o restante dos pacientes, levando em conta, ainda, o aumento da população nessas duas décadas?

A expectativa da atual política de saúde mental é de que os centros de atendimento psicossocial, os chamados Caps, pudessem dar este atendimento em nível ambulatorial. Ocorre que nestes casos a internação é fundamental, basta olharmos o número de pacientes mentais que se encontram abandonados nas ruas, como mendigos, nos presídios e nas casas daqueles que não podem pagar um tratamento particular. Recentemente, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) fez uma campanha publicitária intitulada “Loucura é não ter leitos psiquiátricos”, chamando a atenção para este problema.

Para que esta questão seja enfrentada, é preciso retirar determinados mitos do debate. Um deles é a questão dos manicômios. Não conheço ninguém que seja a favor de manicômios. É necessário que se entenda que o hospital psiquiátrico que se quer é um hospital especializado em psiquiatria, como existem os especializados em cardiologia, otorrino, traumatologia, entre outros.

“Salvar vidas – Hospitais seguros em situações de emergência” é o tema das comemorações do Dia Mundial da Saúde em 2009. Em cada ano, a OMS aproveita a ocasião para fomentar a consciência sobre alguns temas-chave relacionados com a saúde mundial. No meu entender, é um excelente momento para a política de saúde mental no Brasil ser discutida e começar a ser revista.

Germano Bonow

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