Feeds:
Posts
Comentários

Archive for novembro \17\UTC 2011

Dona Lúcia andava se sentindo cansada. As noites mal dormidas estavam cobrando seu preço e, sendo a insônia sua companheira durante a noite, só lhe restava a fadiga durante o dia. Tudo começou quando há alguns dias atrás seu marido foi acometido de uma terrível constipação intestinal, fruto de sua alimentação desregrada, e que culminou em um caso  de hemorróidas. Passara alguns dias ouvindo as queixas de Seu Juvenal, que estava sentindo muita dor.

Acompanhou então seu marido até o consultório médico do  Dr. José, que solicitou que o mesmo interrompesse o uso de Antiácidos contendo cálcio, com os quais estava se auto-medicando, e prescreveu medidas higiênico-dietéticas e Lactulose por via oral, 30 mL por dia.  Para as hemorróidas, classificadas como de grau II, o médico ressaltou que seriam necessárias as mesmas medidas higiênico-dietéticas, e em caso de dor persistente, a aplicação de Procto-glyvenol,  banhos mornos de assento e paracetamol 500 mg a cada 4h.

 

Dr. José, percebendo que Dona Lucia estava apática, perguntou se ela estava se sentindo bem, e ela então prontamente falou sobre sua dificuldade de dormir a noite. Relatou que tem dificuldades para relaxar, ficando extremamente ansiosa e nervosa. Disse que não  costuma ingerir café, mas afirmou tomar vinho como indutor do sono. Seu Juvenal confirmou que a esposa não ronca, nem tem movimentos de pernas durante o sono. Dr. José então lhe explicou sobre o sono NREM e REM, perguntou sobre o consumo de medicamentos e demais problemas de saúde. Prescreveu então, cloridrato de difenidramina, 1 comprimido de 25mg antes de deitar. Além disso, indicou que fizesse um chá de Valeirana officinalis L.  ouPassiflora incarnata L.

 

 

 

 

 

Resolvido o problema de Seu Juvenal, foi a vez da filha mais nova, a Karyn, de 9 anos, passar por maus bocados com sua vasta cabeleira, infestada de piolhos.

Bem que a professora avisara que a sua turma estava com diversos casos, mas dona Lucia, atarefada que só ela, não havia dado conta de vistoriar os cabelos da filha, até que percebeu que a pequena coçava a cabeça constantemente.

 

Dona Lúcia procurou a farmacêutica, Dra. Carmem, que lhe indicou a catação manual diária, a escovação freqënte com pente fino e lhe indicou um shampoo com permetrina a 1%. A mãe foi orientada sobre a melhor forma de aplicar o produto.

Mais ou menos na mesma época, o filho do meio, Waltdisney foi convidado para uma festinha de aniversário de seu coleginha de escola, o Jaquissom, no salão da comunidade. Foi uma festa linda de se ver, com muita comida e bebida, mas o pequeno errou na medida e foi acometido de uma diarréia aguda infantil. Dr. José novamente foi acionado, sendo que este perguntou a respeito de possíveis causas: medicamentosas, intoxicação por metais, gastrógenas, virais, infecciosas, antes de diagnosticar diarréia alimentar, associada à bactéria E. coli. Para o menino foi então prescrita hidratação e  alimentação leve. Orientou também para a conduta em caso de aparecimento de muco, sangue ou pus nas fezes.

 

Como se não bastasse, a filha mais velha Greici havia saído com os amigos no final de semana anterior para um final de semana no balneário próximo da cidade, e como o ônibus atrasou na volta, o grupo acabou pegando chuva e lhe restou como lembrança do final de semana um baita resfriado acompanhado de tosse persistente.

Dra. Carmem novamente foi procurada, e explicou que não era caso de internação, nem de utilização de antibióticos. Greici estava apenas resfriada, e apresentava os sintomas típicos. Não apresentava febre, nem dor articular.  Foi aconselhada a tratar a coriza com anti-histamínico (maleato de bromofeniramina – DIMETAPP, a cada 8h) e a dor com paracetamol 750mg de 4 em 4 horas. A tosse de Greici era produtiva e branda, porém, sem aspecto amarelo-esverdeado. A farmacêutica indicou o xarope de n-acetilcisteína, tomado antes de deitar.

Pobre Dona Lúcia, com tanto problema de saúde na família, não podia lhe restar outra coisa… Aftas bucais. Claro que aftas não são enfermidades, são moléstias, que regridem espontaneamente, mas… do arsenal terapeutico para tratamento da afta ( analgésicos antiinflamatórios, anestésicos locais, antibióticos, anti-sépticos, antimicóticos, corticóides, anti-histamínicos e protetores da mucosa), qual você, farmacêutico, indicaria?

Anúncios

Read Full Post »

Identificação

Nome: Sérgio Rodrigues de Oliveira. Nome da mãe: Vicentina Rodrigues. Idade: 20 anos. Sexo: Masculino. Cor: Preta. Escolaridade: Ensino fundamental (4 anos de estudo incompletos).

Naturalidade: Santa Maria, RS

Estado civil: solteiro

Atividade profissional: contínuo de escritório

 

Queixa principal

Muita tosse e falta de apetite

 

História de doença atual

Há dois meses começou a apresentar tosse com expectoração amarelada, astenia, inapetência, emagrecimento (3kg neste período). Relata ter feito uso de medicação expectorante, sem melhora. Refere  piora nos sintomas na última semana, razão pela qual resolveu procurar cuidado médico. Nega febre. Informa que há dois anos teve tuberculose pulmonar como baciloscopia positiva. Naquela ocasião, foi prescrito o esquema 1, que usou por 3 meses, tendo então abandonado o tratamento. O paciente relata ter sido orientado a prolongar a fase inicial do tratamento por mais dois meses, em virtude de não ter feito o uso correto da medicação por diversas vezes. Teve alta com baciloscopia negativa.

História de co-morbidade

Sarampo e coqueluche na infância. Tuberculose pulmonar bacilífera há dois anos. Não toma qualquer medicação de rotina.

História social e familiar

Familiares : pais vivos e saudáveis; três irmãos menores saudáveis. Por ocasião do diagnóstico de tuberculose todos compareceram ao centro de saúde para fazer controle de comunicantes, não tendo sido encontrada doença tuberculosa em atividade em qualquer um deles. Mora com os pais e irmãos. Pai trabalha como jardineiro e mãe faz biscate como lavadeira. Condições de habitação: mora em casa de alvenaria com 4 cômodos (sala, 2 quartos, banheiro e cozinha). Geladeira e televisão. Renda familiar: 3 salários mínimos.

Hábitos

Nega tabagismo e etilismo.

Exame físico

Ectoscopia: estado geral regular, longilíneo, orientado no tempo e espaço, eupneico, acianótico.

Peso: 65kg, altura: 1,76m. temperatura axilar: 37,5ºC

Cabeça e pescoço: sem alterações.

Tórax: simétricos, sem abaulamentos ou retrações. Respiração toráxico-abdominal, predominantemente abdominal.

Aparelho respiratório: freqüência respiratória de 22ipm, percussão sem alteração. À ausculta o murmúrio vesicular é universalmente audível, sem roncos, estetores ou sibilos.

Aparelho cardiovascular: ritmo cardíaco regular em 2 tempos, freqüência cardíaca de 84bpm, bulhas normofonéticas, sem sopros.

Abdome: plano, flácido, indolor à palpação, sem visceromegalias

Membros: sem edemas. Pulsos palpáveis, isócronos

Sistema nervoso e osteo-articular: sem alteração

 

Informações complementares

Sinais e sintomas sugerindo quadro infeccioso arrastado e comprometendo o pulmão. História anterior de tuberculose pulmonar e abandono de tratamento. Condições sócio-econômicas e habitacionais desfavoráveis. Nega tabagismo e etilismo.

Principais hipóteses diagnósticas

Tuberculose pulmonar

Infecção respiratória por outras bactérias

Bronquiectasias infectadas

Micose pulmonar (em resíduos tuberculosos saneados)

 

 

Exames complementares

Baciloscopia de escarro (se positivo – diagnóstico de tuberculose)

Se negativo, proceder radiografia de tórax

HIV/AIDS

 

Esquema 1

Fase do tratamento

Fármaco

Peso do paciente (mais de 45 kg)

1ª fase

2 meses (RHZ)

R

600mg/dia

H

400mg/dia

Z

2000mg/dia

2ª fase

4 meses (RH)

R

600mg/dia

H

400mg/dia

R =Rifampicina; H- izoniazida , Z – pirazinamina

O paciente justificou a não adesão da seguinte maneira para a médica que o acompanha: “pois é, doutora, mas não foi culpa minha. A senhora veja só. Durante três meses, eu tomei os remédios direitinho, todo dia. Depois comecei a tomar remédios, os três exames de escarro deram negativo. Daí, quando fui pegar meus remédios, me disseram para voltar outro dia porque eles estavam em falta. Uns dois ou três dias depois eu voltei e continuavam em falta. Sabe, doutora, eu já me sentia bem, os exames já estavam negativos e eu já estava faltando muito no trabalho para ir ao posto e não achar meus remédios. Resolvi então parar. Achei que estava curado.”

Foi incluída o fármaco Etambutol conforme Esquema terapêutico  instituído considerando tuberculose multirresistente, recomendado pelo ministério da saúde, para defender melhor a Rifampicina, droga de maior poder esterilizante conhecida até o momento, que permite reduzir o tempo de tratamento e garantir uma cura duradoura da doença. Além disso, foi instituído o uso de comprimido único com doses fixas combinadas (CDF), facilitando as tomadas (4 unidades ao invés de 9, se usadas as apresentações disponíveis) e o controle de regime supervisionado.

 

Fase do tratamento

Fármaco

Peso do paciente (mais de 45 kg) comprimidos em dose fixa combinada

1ª fase

2 meses (RHZ)

3 comprimidos/dia

R

150mg

H

75mg

Z

400mg

E

250mg

2ª fase

7 meses (RH)

2 comprimidos/dia

R

300mg/dia

H

200mg/dia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Read Full Post »

Para o próximo caso, seguiremos o artigo publicado por Istênio Pascoal na Revista Hiperativo. Para acessar o artigo, clique aqui!

Lembro que a discussão deve considerar aspectos farmacoterapêuticos da gestação e orientações para o puerpério!

 

 

Read Full Post »