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Archive for 16 de janeiro de 2012

 

Paciente de 37 anos, oriental, masculino, com antecedente patológico de Doença de  Chron, Hipertensão arterial sistêmica, alergia a iodo, e diagnóstico recente de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA – AIDS), em uso de antirretrovirais (ART) há 10 dias, HAART (AZT/3TC/EFZ), e tuberculose pleural em uso de Esquema tríplice há 20 dias; admitido no Pronto Socorro no dia 14/08/2008 com quadro de febre, adinamia, calafrios, e náuseas há uma semana com piora no dia do atendimento.

O exame físico inicial demonstrou Pressão Arterial (PA): 130×90 mmHg, Frequência cardíaca (FC): 140 batimentos por minuto (bpm), temperatura de 38 graus Celsius, Frequência respiratória (FR): 28 incursões por minuto (ipm), Saturação de 95%, toxemiado, desidratado, febril, com  rash máculo papular em tronco, adenomegalias cervicais, monilíase oral, hepatoesplenomegalia, dispnéico, murmúrios vesiculares (MV) abolidos em hemitórax direito.

Os exames colhidos demonstravam leucograma com 29000 leucócitos, 15% de bastões, hemoglobina: 12, plaquetas: 283000, PCR: 24,98, pH 7,39, bicarbonato: 19, lactato:  30, creatinina : 1,4, Uréia: 57.

A radiografia de tórax demonstrava derrame pleural à direita.

O diagnóstico feito foi de Sepse grave de foco pulmonar e foi iniciada hidratação, antibioticoterapia, e realizada a passagem de um cateter venoso central. O paciente foi encaminhado a UTI para acompanhamento.

No primeiro dia de UTI foi optado por ampliar o esquema de antibióticos, e foram suspensos o esquema tríplice e os antirretrovirais. Uma drenagem pleural do tórax direito foi realizada tendo sido retirado um total de 1850 mL de líquido seroso.

Dia 16/12/2008 o paciente apresentou distensão abdominal e diarréia, e foi realizada uma tomografia de abdômen sem sinais de abscesso ou perfuração. Ainda no mesmo dia foi colhida pesquisa para toxina de  Clostridium dificille e iniciado metronidazol empiricamente.

No dia 18/12/2008 o paciente ainda apresentava febre e diarréia, passando a apresentar no dia seguinte enterorragia e hematoquesia. A pesquisa para toxina de Clostridium dificille foi negativa.O paciente foi submetido a uma Endoscopia digestiva alta que demonstrou uma gastrite leve de antro, e uma colonoscopia que apresentava mucosa de todo o segmento do cólon e reto com erosões com fibrina e halo de hiperemia, com áreas focais de mucosa petequial.

O anatomo patológico demonstrou colite erosiva, erosões recentes com padrão isquêmico e endotelialites com microtrombos de fibrina em capilares de lâmina própria, infiltrado inflamatório com linfócitos, histiócitos e polimorfonucleares.

Alterações citopáticas em células endoteliais sugestivas de etiologia viral de padrão citomegálico (CMV). Cólon esquerdo – colite erosiva, infiltrado inflamatório e endotelialites. Reto: Edema e congestão vascular em lâmina própria Micro trombos de fibrina em capilares com alterações citopáticas sugestivas de etiologia viral – CMV Imunohistoquímica: Cólon D- CMV positivo nas células de interesse, herpes vírus negativo. Após a notificação deste resultado iniciou-se tratamento para o Citomegalovírus com ganciclovir.

No dia 20/12 o paciente recebeu alta da UTI para uma unidade semi-intensiva.Foram realizadas as dosagens de CD4 de 68, CD8 de 181, e carga viral de 3086.Em 25/12/2008, cinco dias após a alta da UTI, o paciente voltou a apresentar dispnéia, febre e astenia. No dia 26/12 foi realizada nova drenagem de tórax com saída de 1300mL de líquido pleural seroso e associado levofloxacino ao esquema antibiótico

No dia 28/12 como o paciente mantivesse febre foi retirado o cateter venoso central, enviado a ponta para cultura e puncionado um novo cateter. No dia 30/12/2008 o paciente começou a apresentar  movimentos involuntários de pequena e média amplitude que  se intensificavam com a movimentação sem espasticidade,  sem perda de força ou sensibilidade. Foi feita a hipótese diagnóstica de toxicidade a drogas.

No dia 06/01 foi colhida uma hemocultura do cateter venoso central com crescimento de cândida albicans e foi iniciado anfotericina B. Em 10/01 a dosagem de CD4 foi de 135. No dia 20/01 o paciente voltou a apresentar insuficiência respiratória, hipotensão, taquicardia e febre com diagnóstico de novo choque séptico de foco pulmonar tendo sido novamente internado na UTI.

Devido a insuficiência respiratória o paciente foi submetido à intubação orotraqueal e iniciado o uso de noradrenalina para o controle da PA adequado. O diagnóstico caracterizado foi de empiema pleural com derrame loculado.

O paciente foi submetido à decorticação pulmonar, pleurectomia, toracoscopia, e toracotomia com drenagem pleural fechada. A videotoracoscopia caracterizou coleções pleurais, espessamento pleural parietal e visceral e encarceramento do lobo pulmonar inferior direito e médio.

No dia 23/01 pela piora hemodinâmica foi necessário associar vasopressina e novamente ampliar o espectro  antibiótico.

No dia 25/01 houve redução dos picos febris, diminuição das drogas vasoativas. Porém evolução para insuficiência renal aguda sendo  necessária hemodiálise Alguns dias depois houve melhora do quadro séptico, suspensão das drogas vasoativas e o paciente foi  desentubado.

Após ser desentubado o paciente apresentava sintoma de disartria e foi submetido a uma ressonância magnética de crânio que demonstrou lesões nodulares características de neuro-toxoplasmose tendo sido iniciado então tratamento para tal.

Após melhora significativa do quadro paciente recebeu alta para a semi-intensiva e posteriormente para o quarto, e em 05/02/2009 foram iniciados os antirretrovirais efavirenz  e biovir quando o quadro clínico do paciente estava mais estável.

Em 27/02/2009 o paciente recebeu alta para o domicílio com home care em uso de sulfadiazina, fluconazol, biovir, efavirenz, rifampicina, isoniazida, pirimetamina.

NESTE ITEM DEVERÃO SER CONTEMPLADOS:

  1. Principais doenças infecto-contagiosas
    1. Etiologia, fatores de risco, diagnósticos, transmissão
  2. Princípios gerais de uso de antimicrobianos
  1. Tratamentos não medicamentosos
  2. Tratamentos medicamentosos incluindo medicações de escolha
  3. Acompanhamento farmacoterapêutico
  4. Busca ativa por problemas relacionados à medicamentos
  5. Resistência bacteriana
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