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Posts Tagged ‘ácido fólico’

Uma resolução em vigor desde 2004 obriga os fabricantes de farinha de trigo e milho a adicionar no produto uma quantidade extra de ácido fólico, uma vitamina que previne má formação do sistema nervoso do bebê. Para especialistas envolvidos no Estudo Colaborativo Latino-Americano de Malformações Congênitas (Eclamc), no entanto, as 150 microgramas do nutriente presentes em cada 100 gramas de farinha não são suficientes para suprir o que o corpo precisa. Dados do Eclamc mostram que o ideal seria 400 microgramas, mais que o dobro da quantidade atual. Para resolver o problema, sugerem que o nutriente seja adicionado também ao açúcar.

O argumento dos especialistas é de que os brasileiros consomem menos farinha do que os americanos. Adicioná-lo também ao açúcar, informa o professor de neurocirurgia Hélio Rubens Machado, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, seria uma forma de suprir a necessidade.

As vantagens do ácido fólico, que pode ser encontrado em verduras verdes escuras como o espinafre e o brócolis, não são unânimes. Um estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) sugere que os benefícios de ingerir altas doses de ácido fólico seriam inócuos porque o organismo tem dificuldade em metabolizar o nutriente na forma sintética que é adicionada à alimentação. Os cientistas também argumentam que há poucos estudos sobre efeitos adversos de um eventual excesso do nutriente e suspeitam de que ele possa contribuir para o surgimento do câncer.

O professor Renato Santos Mello, do Departamento de Biologia da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), teme que uma dose elevada do nutriente para todos os brasileiros possa causar ainda outros danos. Como o nutriente é uma vitamina do Complexo B, ele pode mascarar a falta de vitamina B12, útil no diagnóstico de anemia.

– Ele também dificulta o tratamento da malária, doença endêmica em muitas regiões do país. A sociedade precisa debater mais se vale a pena expor toda a população – alerta.

Machado acredita que o aumento da adição não é suficiente para causar danos à população As mais beneficiadas, no entanto, continuam sendo as gestantes. O déficit da vitamina pode aumentar o risco do feto desenvolver alterações no tubo neural, que dão forma ao cérebro e à medula do bebê. É de praxe recomendar suplementação a mulheres que pretendem engravidar ou que estão grávidas.

– A mulher deve começar a ingerir ácido fólico três meses antes da gravidez até a 14ª semana. O problema é que muitas não planejam e engravidam com déficit – diz a obstetra Mirela Foresti Jiménez, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Fonte: Zero Hora – caderno Vida – 29/08/2009

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