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Posts Tagged ‘gravidez’

F., 30 anos, feminino, histórico de hipertensão crônica. Possível Pré-eclâmpsia na primeira gestação. Sua primeira gestação foi há 4 anos. Apresentou elevação da Pressão Arterial no 5º mês de gestação, porém, não foi realizado tratamento medicamentoso com anti-hipertensivos. Detectou-se retardo no desenvolvimento intrauterino na 35ªsemana. O parto aconteceu na 38ª semana, de uma menina, com 2,26kg, devido à piora no quadro.
Assim sendo, foi determinado o provável diagnóstico de pré‐eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica. O tratamento durante o parto contemplou a utilização de Mg EV, anti‐hipertensivos; sem continuidade no pós‐parto.

História Familiar: pais hipertensos (pai com doença arterial coronariana), irmã com estenose na artéria renal e outra irmã com retardo intelectual por meningite. Não é tabagista. Uso de uma taça de vinho, durante a noite, regularmente. Sedentária. Está sob tratamento para infertilidade.
História Médica Pregressa: sepse em 2006, por diverticulite. Alérgica a Amoxacilina. Uso de Fluoxetina em TPM.

Exames Laboratoriais
PA: 139/90 mm Hg
IMC 23,7
Glicose 78 m/dL
Creatinina: 0,8 mg/dL
Potássio 5,1 mEq/L (normal: 3,5‐5,0)
Ca: 10,9 mEq/L (normal 8,8‐10,6)
Tireotrofina: 1,2
Leucócitos 4,7 K/uL
Hb: 15,2 g/dL
Plaquetas: 297 K/uL
Em novo exame, os níveis de K e Ca estavam dentro da faixa normal.
Urina: normal; apenas traços cetônicos.
Avaliou-se possíveis causas para a hipertensão secundária: endócrinas (feocromocitoma, doenças da tireoide, hiperaldosteronismo, síndrome de cushing, hipercalcemia), renais (doenças renais, estenose arterial renal), cardíacas (apnéia do sono, coarctação da aorta) ou derivadas do consumo de medicamentos (anticoncepcionais ou álcool).
Exames complementares: ECG, oftalmoscopia, pulsos carotídeos, femorais e periféricos, dosagem de colesterol.

Questões a serem consideradas
1. Se houve pré-eclampsia na primeira gestação e se há relação entre uma possível pré-eclampsia da primeira com a segunda gestação
2. Se existem causas possíveis de hipertensão além da gestação
3. Necessidade dos exames complementares solicitados
4. Discussão da prescrição dentre os seguintes fármacos:, considerando gravidez: diuréticos tiazídicos, iECAs, bloqueadores dos receptores de angiotensina, beta ‐bloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio.
5. Objetivos terapêuticos
6. Tratamento não medicamentoso
7. Fisiologia Básica da Pressão Arterial na Gestação
8. Hipertensão Crônica e Gestação
9. Pré ‐Eclâmpsia: Prevenção e pós parto

Baseado no artigo

Powrie RO. A 30-year-old woman with chronic hypertension trying to conceive.JAMA. 2007 Oct 3;298(13):1548-58.

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O Caso desta semana está descrito no artigo abaixo:

Epilepsia e Gravidez: Que conduta?

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gravida_03J. R. 25 anos, feminino, branca, casada, médica, residente em PoA.

Em acompanhamento para tratamento de diabetes e hipertensão, relata alguns episódios anteriores de infecção do trato urinário (ITU). Solicitado hemograma, parcial de urina e urocultura.

 

No retorno, a paciente estava gestando há 30 semanas, e  procurou atendimento com queixa de contrações uterinas (três em 20 minutos).
O exame físico confirmou as informações prestadas. Ao toque vaginal, o colo do útero estava fechado. Frente ao quadro de trabalho de parto prematuro, decidiu-se pela internação da paciente. Além de repouso, prescreveu-se salbutamol em infusão intravenosa contínua.

 

Resultados:

HEMOGRAMA:

Eritrócitos:  4.300.000 /microlitro
Hemoglobina: 11,0 g/dl
Volume globular: 33,0 %
VCM: 76,7 fentolitros (fl)
HCM: 25,6 picogramas (pg)
CHCM: 33,3 %
RDW: 17,0 %
Anisocitose +, eliptócitos +
Leucócitos: 12.000 / microlitro
Contagem diferencial: neutrofilia sem desvio nuclear à esquerda
Granulações tóxicas +
Plaquetas: 270.000 / microlitro

PARCIAL DE URINA:

Aspecto: ligeiramente turvo. Urobilinogênio: 0.
Cor: amarelo-âmbar. Bilirrubina: 0.
pH: 6,5. Nitritos: 0.
D: 1.025. Leucócitos: 1.000/mm³
Proteínas: 0. Eritrócitos: 1.000/mm³
Glicose: 0.  Células epiteliais: ++
Acetona: 0. Cilindros: ausentes.
Hemoglobina: 0. Cristais: ausentes.

UROCULTURA: desenv. de cocos gram-positivos, contagem: 4 X 103 UFC/ml

Paciente voltou ao consultório um mês depois, como visita de rotina do pré-natal.
Médico solicita nova urocultura e parcial de urina, em vista do resultado da cultura anterior

Aspecto: turvo. Urobilinogênio: 0.
Cor: amarelo-âmbar. Bilirrubina: 0.
pH: 6,0. Nitritos: 0.
D: 1.025. Leucócitos: 2.000/mm³
Proteínas: 0. Eritrócitos: 3.000/mm³
Glicose: 0.  Células epiteliais: ++
Acetona: 0. Cilindros: ausentes.
Hemoglobina: 0. Cristais: ausentes.

 

 

Sua mãe a acompanhava à consulta, contando com 56 anos de idade, e se queixou de ondas de calor, aumento da irritabilidade e incapacidade de se concentrar nas tarefas diárias. Declara que está na menopausa, mas que não pretende tomar nenhum hormônio, visto que a mãe teve câncer de mama e ela está com medo de que esse tratamento possa aumentar seu risco.menopausa Confessa que os sintomas são praticamente insuportáveis.

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C.M.A.A., caucasiana, enfermeira, 25 anos de idade com epilepsia diagnosticada aos 20 anos, de difícil controle. A primeira gravidez foi planejada e vigiada por obstetra particular até às 22 semanas de gestação, altura em que foi enviada à Unidade de Diagnóstico Pré-Natal/ Medicina Fetal do Serviço de Obstetrícia da Maternidade do hospital local por suspeita de espinha bífida oculta.

Estava medicada com valproato de sódio 2g dia. Não havia sido medicada com ácido fólico nem efetuou rastreio bioquímico para defeitos do tubo neural. Efetuou ecografia no Serviço que mostrou imagens sugestivas de cabeça “lemon-shape” e mielomeningocele lombo-sacral. Foi efetuada amniocentese para estudo citogenético que revelou um cariótipo normal (46,XX).

Perante estas malformações o casal solicitou interrupção médica da gravidez que foi aceita. O estudo anatomopatológico do feto revelou “solução de continuidade dos tecidos moles e ósseos da região lombo-sacral com 2,5 cm de maior eixo compatível com mielomeningocele.”

Foi orientada para nova consulta de Neurologia e o valproato foi substituído por carbamazepina, conseguindo-se a estabilização da doença com 1g/dia deste fármaco.

Posteriormente foi a consulta de aconselhamento genético e pré-concepcional, tendo sido medicada com ácido fólico 20 mg dia. A segunda gravidez foi vigiada no nosso serviço, permanecendo medicada com 1g de carbamazepina e 20 mg de ácido fólico diários, sem

qualquer agravamento da doença. Efetuou rastreio bioquímico para defeitos do tubo neural que foi negativo.

As ecografias de rotina, bem como a ecocardiografia fetal não apresentaram alterações.

A gravidez transcorreu com normalidade, apresentando a mãe, náuseas e vômitos matinais, desconforto gástrico, sonolência e um episódio de candidíase vaginal. No 7º mês de gestação, quando foi diagnosticada pré-eclâmpsia, sendo tratada com sulfato de magnésio e prednisona. Não apresentou diabetes gestacional.

O parto foi normal, o recém-nascido do sexo feminino pesava 3.430g e apresentou um índice de APGAR de 9,10,10 sendo perfeitamente saudável. Ambos tiveram alta às 48 horas de puerpério tendo este decorrido sem complicações.

C. foi orientada para o puerpério e amamentação, bem como sobre a utilização de medicamentos durante este período.  Atualmente a criança tem 15 meses de vida, é saudável e apresenta um padrão de crescimento e desenvolvimento normal para a sua idade.

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