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Roteiro básico

Veja uma série de recomendações, baseadas no chamado Protocolo Spikes (modelo construído por estudiosos americanos visando transmitir o diagnóstico aos pacientes de câncer):

Objetivos

:: Escutar o paciente com a finalidade de conhecer o seu grau de informação sobre a doença, suas expectativas e seu preparo para receber a má notícia.

:: Transmitir informação médica de maneira inteligível, de acordo com as possibilidades, as necessidades e os desejos do paciente.

:: Dar suporte ao paciente, utilizando habilidades profissionais para reduzir o impacto emocional e a sensação de isolamento experimentados por quem recebe a má notícia.

:: Desenvolver uma estratégia, sob a forma de um plano de tratamento, com a contribuição e a colaboração do paciente.

Etapas e recomendações

ETAPA 1 – Como planejar a entrevista

:: Rever os dados que fundamentam a má notícia: resultados de exames, tratamentos anteriores, literatura médica e informações gerais sobre o paciente.

:: Avaliar seus próprios sentimentos – positivos e negativos – sobre a transmissão da má notícia para esse paciente.

:: Buscar ambiente com privacidade; informar sobre restrições de tempo ou interrupções que possam ser inevitáveis; desligar o celular ou pedir a um colega para atender.

:: Envolver pessoas importantes, se esse for o desejo do paciente.

:: Sentar-se e colocar-se disponível para o paciente.

ETAPA 2 – Como avaliar a percepção do paciente: “Antes de contar, pergunte”

:: Procurar saber como o paciente percebe sua situação médica (o que tem, se é sério ou não), o que já lhe foi dito sobre o seu quadro clínico e o que procurou saber por fontes leigas ou profissionais, internet etc., qual é a sua compreensão sobre as razões pelas quais foram feitos os exames.

:: Perceber se o paciente está comprometido com alguma variante de negação da doença: pensamento mágico, omissão de detalhes médicos essenciais, mas desfavoráveis sobre a doença ou expectativas não realistas do tratamento.

:: Corrigir desinformações e moldar a má notícia para a compreensão e a capacidade de absorção do paciente.

ETAPA 3 – Como avaliar o desejo de saber do paciente e obter o seu pedido por informações

:: Procurar saber, desde o início do tratamento, se o paciente deseja informações detalhadas sobre o diagnóstico, o prognóstico e os pormenores dos tratamentos ou se quer ir pedindo informações gradativamente.

:: Oferecer-se para responder a qualquer pergunta ou para falar com familiares ou amigos.

:: Negociar a transmissão de informação no momento em que se pedem exames: se o paciente vai querer detalhes sobre os resultados ou apenas um esboço que possibilite a discussão do plano de tratamento.

ETAPA 4 – Como transmitir a notícia e as informações ao paciente

:: Anunciar com delicadeza que más notícias estão por vir, dar tempo ao paciente para se dispor a escutá-las.

:: Evitar termos técnicos, adaptando-se ao vocabulário e ao nível de compreensão do paciente.

:: Evitar a dureza excessiva, amenizando a transmissão de detalhes desnecessários.

:: Informar aos poucos, buscando conferir o progresso de sua compreensão.

:: Quando o prognóstico é ruim, evitar transmitir desesperança e desistência, valorizando, ao contrário, os cuidados paliativos, o alívio dos sintomas e o acompanhamento solidário.

ETAPA 5 – Como validar a expressão de sentimentos e oferecer respostas afetivas às emoções dos pacientes (e de familiares)

:: Favorecer a expressão de pacientes e familiares sobre o impacto da má notícia, dando voz a seus sentimentos e emoções para ajudá-los a superar estados de choque e evitar o descontrole.

:: Acolher a legítima expressão de sentimentos de ansiedade, raiva, tristeza ou inconformismo de pacientes e familiares, dando-lhes algum tempo para se acalmarem e abrindo-lhes as possibilidades de continuidade do acompanhamento.

:: Buscar respostas de reconhecimento e sintonia afetiva, ensaiar perguntas exploratórias que favoreçam a expressão dos sentimentos e das preocupações em jogo, assim como afirmativas reasseguradoras da legitimidade dessas expressões para reduzir os sentimentos de isolamento do paciente e de familiares, expressar solidariedade e validar seus sentimentos e pensamentos.

ETAPA 6 – Como resumir e traçar estratégias

:: Resumir as principais questões abordadas e traçar uma estratégia ou um plano de tratamento para ajudar os pacientes a sentirem-se menos ansiosos e inseguros.

:: Antes de discutir um plano de tratamento, perguntar aos pacientes se eles estão prontos para essa discussão e se aquele é o momento.

:: Compartilhar responsabilidades na tomada de decisão com o paciente (o que pode também reduzir qualquer sensação de fracasso da parte do médico quando o tratamento não é bem-sucedido).

:: Avaliar o não entendimento de pacientes sobre a discussão, prevenindo sua tendência a superestimarem a eficácia ou não compreenderem o propósito do tratamento.

:: Ser honesto sem destruir a esperança ou a vontade de viver dos pacientes.

Fonte: Clic RBS

 

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